quinta-feira, 12 de junho de 2008



ESPECIAL

Aproveito o Dia dos Namorados para resgatar um texto no qual conto a história de um jovem negro e pobre que sonhava em se tornar o novo grande pugilista da América. Antes e depois, vídeos de canções inesquecíveis.









Desencanto na cidade do amor fraternal
Philadelphia abriga parte significativa da história dos Estados Unidos. Capital da Pennsylvania, ergue-se sobre antigo território dos índios Delaware. Foi o rio batizado em homenagem à tribo que as tropas comandadas pelo general George Washington cruzaram para derrotar os britânicos em Trento, no Natal de 1776, feito decisivo para a consolidação da Independência, declarada em 4 de julho daquele ano. A certidão de nascimento dos Estados Unidos da América foi tornada pública no prédio hoje integrante no Parque Histórico Nacional da Independência, ocasião em que se fez ouvir o badalo do célebre Sino da Independência. A cidade foi a capital americana entre 1790 e 1800.

O Rio Delaware separa a Pennsylvania do estado de Delaware. Para cruzá-lo, utiliza-se uma ponte azul cujo nome homenageia um ícone da história mundial. Foi na Philadelphia que viveu Benjamin Franklin (nascido em Boston, em 1706). Franklin foi emissário diplomático de várias províncias junto ao parlamento do Reino Unido. Depois de ver fracassarem seus esforços de unir as colônias sem romper com a Coroa, ajudou a escrever a Declaração da Independência e a Constituição dos EUA. Mas Franklin foi muito além das novas fronteiras da América. Foi editor, dono de jornal, escreveu sobre terremotos, provou que os raios são descargas elétricas, inventou o pára-raios e os óculos bifocais, aperfeiçoou o sistema de aquecimento doméstico, entre outras proezas. Sua fisionomia, das mais conhecidas, estampa a cédula de US$ 100 dólares, a nota de dinheiro mais cobiçada do mundo.

Philadelphia, palavra de origem grega que significa “amor fraternal”, é a quinta cidade mais populosa dos Estados Unidos, com mais de 1,5 milhão de habitantes, de acordo com o censo realizado em 2000, sendo que a região metropolitana acolhe mais de seis milhões de almas. Foi entre elas, um entre seis milhões, que veio ao mundo Najai Turpin, em 19 de dezembro de 1981. Nascido e criado em bairro de extrema pobreza, aos 18 anos perdeu a mãe e passou a cuidar do irmão, da irmã e dos sobrinhos. Sonhava em lutar boxe profissional, mas vivia de subempregos, em obras de manutenção das ruas pelas quais havia circulado Benjamin Franklin e marchado triunfante o general Washington, ou limpando mariscos em um restaurante, tarefa à qual subtraía algumas horas todas as tardes para treinar boxe, e à qual retornava para num novo turno que só acabava à meia-noite.

Com um cartel amador de 13 lutas e 11 vitórias, oito das quais por nocaute, detentor apenas de um título no âmbito municipal, Najai “Nitro” Turpin foi um dos selecionados para participar do reallity-show The Contender, o Desafiante, criado pelo mesmo Mark Burnett que transformou Donald Trump em celebridade mundial com O Aprendiz. Apresentado por Sylvester Stallone, intérprete do clássico Rocky, um Lutador e por Sugar Ray Leonard, um dos pugilistas mais técnicos da história, The Contender, exibido no Brasil pelo canal de TV a cabo People + Arts, oferecia ao vencedor o prêmio de um milhão de dólares, e aos 16 participantes a possibilidade de se tornar conhecido e ver a carreira decolar. Às vésperas de completar 23 anos, Turpin viu no programa a chance de largar de vez as ferramentas e os mariscos, tornar-se profissional e dar uma vida decente à família, incluindo a filha Anyae, de dois anos, cuja custódia era alvo de uma disputa judicial com a ex-namorada Angela Chapple.

Turpin havia sido eliminado na fase classificatória do programa, mas não dera adeus ao prêmio. Poderia voltar no final, como um dos dois eleitos pelo público. Considerado o mais simpático da turma, sua escolha era tida como certa. Enquanto isso, não podia lutar, mas recebia US$ 1,5 mil por semana para se manter em forma, treinando no ginásio do centro turístico de Poconos. Ali, dentro do carro estacionado ao lado do ginásio, às quatro horas da madrugada de 14 de fevereiro, o Valentine Day, Dia dos Namorados no Hemisfério Norte, depois de passar a noite conversando com a ex-namorada Angela, Najai Turpin se matou com um tiro na cabeça.

Crédito da foto
NBC Television




Um comentário:

Laura Junkes disse...

Nem vou comentar os textos, pq dispensam minhas fáceis palavras. Mas darling, conseguistes reunir alguns dos melhores vídeos de músicas românticas, hein! Amo Nina Simone! E a primeira música, a do Simply Red, é umas das canções que mais me marcaram na vida...
Obrigada...
Bjks