segunda-feira, 28 de julho de 2008

BRASIL

O caos é o limite

Escoltada pela impunidade, a delinqüência organizada do Rio decidiu expandir seus mercados e encorpar o portfólio de produtos e serviços. Depois de corromper políticos escolhidos livremente pelo povo, chegou a hora de dizer ao povo em quem votar. Chega de intermediários, bradaram os criminosos, de olho no melhor custo-benefício de eleger candidatos bandidos em vez de comprá-los depois.

Campanha eleitoral, só com autorização do tráfico. O corpo-a-corpo é liberado apenas para os políticos amigos. Fazer campanha no Rio virou mau negócio: o candidato tem de enfrentar as ameaças da bandidagem e, caso consiga chegar até o eleitor sem maiores contratempos, sai com o rótulo de aliado do submundo.

A ausência do Estado levou a mais bela cidade brasileira, e uma das metrópoles mais celebradas no mundo, a uma situação que já não desperta cobiça, mas piedade. Ao longo de décadas, sucessivos governos, em todos os níveis, limitaram-se a adotar medidas paliativas, isso quando não ficaram no bate-boca sobre a jurisdição de cada um, ou simplesmente se omitiram. Andar nas ruas em qualquer horário é temerário, circular à noite por determinadas regiões evidencia traços suicidas.

Muitas grandes cidades brasileiras sofrem com a violência urbana, mas é no Rio que a substituição do poder do Estado pelo poder da contravenção é mais evidente e preocupante. A imposição das leis do narcotráfico, a proliferação de milícias operando à luz do dia, a corrupção e o despreparo da polícia compõem um cenário de guerra civil que a autoridades insistem em negar. Se o Estado não acolhe o cidadão, o crime o acolhe, num círculo vicioso que transforma pessoas cada vez mais jovens em bandidos, que acolherão outras, que virarão bandidos, numa tragédia sem fim.

Ao definir quem pode e quem não pode fazer campanha em seus domínios, os criminosos atacam a democracia no que ela tem de mais básico: um sistema eleitoral livre. A partir daí, o caos é o limite.

Um comentário:

Laura Junkes disse...

É, amigo, assim como se ataca a democracia, se invertem os valores e grupos como o dos carecas começam a tomar mais força aqui em Florianópolis, espalhando cartazes na Praça XV com site, e-mail e celular! Realmente sou de outro planeta ou algo está muito errado no "progresso" da humanidade
Bjk